sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Toxicidade Etílica

Para maiores esclarecimentos vamos falar um pouco sobre os efeitos da intoxicação por álcool, do consumo constante e excessivo.
A intoxicação por etanol está relacionada à dose, mas a tolerância varia entre os indíviduos, como já citado anteriormente.
Níveis sanguíneos maiores do que 100 mg/dl definem o estado de intoxicação e estão associados com ataxia ( falta de coordenação de movimentos), a partir de 200 ml/dl os indivíduos já estão confusos e sonolentos. Com níveis acima de 400 ml/dl pode ocorrer depressão respiratória, levando à morte.
Abaixo temos a concentração de etanol nas bebidas mais comuns:
Cerveja: 5% de etanol (uma garrafa= 30 g de álcool)
Destilados: 40 a 45% de etanol (uma dose de 43 ml a 25 ml= 15 g de álcool)
Vinho de Mesa: 11% (uma garrafa= 82 g de álcool)
Vinhos Fortificados: 18% (85 ml,uma dose, contém 7,5 g de álcool)
Como já citamos anteriormente, o álcool é rapidamente metabolizado em nosso organismo (cerca de 80 a 90% no fígado), passando pelas membranas e misturando-se com a água corporal total.
Seu catabolismo consiste na conversão do álcool em acetaldeído pela ação da enzima álcool desidrogenase, e este por sua vez é transformado em acetato pela aldeído desidrogenase. Este acetato, por sua vez, é transformado em acetilcoenzima A e em água e CO2, nos outros tecidos. Sua total oxidação gera cerca de 7,1 kcal/grama.





Consequências Tóxicas do Abuso de álcool:
(trechos retirados de http://pt.scribd.com/doc/2383890/Intoxicacao-alcoolica)
- Nas mitocôndrias aparecem alterações na morfologia, o que pode justificar as pertubações funcionais.
- Diminuição na densidade do Retículo Endoplasmático, sendo este de fundamental importância na síntese protéica.
- Ocorrem mudanças no sistema de transporte e secreção das lipoproteínas e proteínas do fígado.
- Como já citamos, a abundância de NADH bloqueia alguns dos sistemas do metabolismo dos nutrientes, entre eles a B-oxidação e o ciclo do oxaloacetato.
- O álcool, por ser uma molécula lipossolúvel, pode agir sobre as membranas (modificando seu funcionamento) inserindo-se entre as camadas fosfolipídicas, aumentando a fluidez, o que estaria relacionado com a dose ingerida.

Essas alterações explicam boa parte do que acontece com os órgãos.
No fígado pode causar hepatite alcoólica aguda, esteatose hepática, além do acúmulo de triglicerídeos e ácidos gordos.
No trato gastrintestinal há a formação de acetaldeído, de acetato, de radicais livres, além de lesões celulares. Pode causar também gastrite, cirrose, pancreatite crônica, deficiências de vitaminas como a niacina, tiamina e B12.
No sistema cardiovascular pode causar hipertensão arterial, arritimia e cardiomiopatia.
No sistema reprodutor causa alterações na ereção, diminuição no número de espermatozóides, diminuição em 50% da concentração plasmática de testosterona, alterações no ciclo menstrual, bem como alterações nos ovários e até mesmo problemas de infertilidade.
No sistema nervoso pode causar amnésia por abstinência, convulsões, alucinações, entre outros.

Espero com estas informações ter esclarecido um pouco mais sobre a seriedade do consumo abusivo de álcool e de suas consequências para o organismo como um todo.


Referências:

http://www.psiquiatriageral.com.br/farma/alcoolismo.htm
http://pt.scribd.com/doc/2383890/Intoxicacao-alcoolica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Etanol

Mitos sobre a ressaca







A ressaca é uma consequencia inevitável causada pelo consumo excessivo de álcool. Os principais sintomas são: dor de cabeça (principalmente na região da testa e da nuca), boca seca e amarga, sensibilidade à luz e ao barulho, indisposição. Todos esses sintomas são causados pela desidratação, baixo teor de glicose no sangue (hipoglicemia) e intoxicação por acetaldeído (produto da metabolização do álcool)


Quando o assunto é a ressaca, existem várias dicas para evitá-la ou diminuí-la, mas várias dessas dicas não funcionam ou simplesmente não possuem comprovação científica.


Mitos e verdades sobre a ressaca:


1. Fazer um pequeno lanche antes de beber ajuda a amenizar os sintomas da ressaca


VERDADE. A comida ajuda a diminuir a irritação que o álcool provoca no estômago.




2. Comer algo doce diminui o efeito do álcool


MITO. O açúcar (carboidrato) será metabolizado pelo organismo antes do álcool, portanto, a sensação de embriaguez será retardada, mas ocorrerá do mesmo jeito





3. Bebidas de boa qualidade não provocam ressaca


MITO. A ressaca é causada pelo excesso no consumo de álcool, porém bebidas de baixa qualidade podem conter impurezas que pioram a ressaca




4. Café e banho diminuem o efeito da ressaca


MITO. O café e o banho apenas diminuem a sensação de sonolência provocada pelo álcool.




5. Provocar o vômito ajuda a eliminar o álcool do organismo


MITO. O vômito só ajuda a melhorar a sensação de enjôo.




6. Tomar água durante a bebedeira diminui a ressaca


VERDADE. A água ajuda a eliminar as toxinas que causam a ressaca.




7. Misturar vários tipos de bebida piora a ressaca


VERDADE. O organismo tem dificuldade de metabolizar bebidas fermentadas e destiladas ao mesmo tempo.


O melhor remédio para a cura da ressaca é não exagerar na bebida, mas se isso não for possível, as melhores dicas para diminuir os efeitos da ressaca é ingerir bastante água e beber de estômago vazio.


Bibliografia:






terça-feira, 29 de novembro de 2011

Álcool x Violência doméstica

Li essa reportagem esses dias que tem tudo a ver com o tema do nosso blog e achei muito interessante. Vou colocar ela aqui na íntegra.

“Novo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), feito com 7 mil famílias em 108 cidades do Brasil, comprova que o álcool funciona como "combustível" da violência doméstica. Nas entrevistas feitas durante um ano, os pesquisadores identificaram que em quase metade das agressões que acontecem dentro de casa (49,8%) o autor das surras estava embriagado. A relação entre bebida alcoólica e maus-tratos já era considerada pelos especialistas, mas a evidência científica foi comprovada nacionalmente só com o ensaio científico.

"Ele tomava seus goles de pinga e virava monstro, me batia na frente de qualquer um. Não respeitou nem quando estava grávida. Tenho as marcas em todo corpo", diz Maria, hoje com 52 anos, moradora da periferia da zona sul de São Paulo, que apanhou do marido por três décadas, sempre calada. Nunca denunciou o companheiro - nem quando a rede de delegacias da mulher foi criada. "E no hospital, sempre inventava uma desculpa diferente para meus machucados. Uma hora caía da escada, outra inventava que escorregava no banheiro", diz ela, que não sabe explicar porque tolerou as surras durante tanto tempo. "Primeiramente, era amor. Depois, não sei."

A tolerância à agressão também é decifrada pela associação entre violência e álcool, afirma o autor da pesquisa da Unifesp, o psicólogo Arilton Fonseca. "É muito mais fácil perdoar quando o agressor bebeu. A vítima considera o álcool o culpado e não o violentador. Acredita que, quando sóbrio, a rotina de violência cessa." No mesmo estudo, foi evidenciado que violência impulsionada pela bebida alcoólica persiste, na maioria das vezes, por mais de 10 anos.

Outro aspecto revelado na pesquisa é que, apesar de mais frequentes os casos nas classes sociais mais baixas, o poder aquisitivo não imuniza o problema. Dos agressores bêbados, 33% eram de classe média e 17%, de classe alta. "A violência caseira é democrática. Mas a exposição do problema não", avalia a subsecretária nacional de enfrentamento da violência da mulher, Aparecida Gonçalves. "Mulheres de classe A e B dificilmente vão à delegacia e conseguem maquiar as marcas da violência. Viajam para esconder o olho roxo, procuram serviços particulares, que são blindados dentre os números públicos."

Nos dados do Disque-Denúncia 180 - que recebe ligações de todo País sobre violência doméstica, foi apurado que 48,7% das vítimas agredidas não dependem economicamente do agressor, o que, para Aparecida Gonçalves, mostra que o dinheiro não é fator principal e exclusivo para que o ciclo de agressão seja perpetuado.

A estudante de enfermagem Sandra, de 36 anos, que sempre morou em casas de classe média e atualmente está na Água Rasa, zona leste da capital paulista, é uma das faces que mostra a "democracia" da agressão doméstica. "Durante o primeiro ano de casamento, meu marido nunca encostou o dedo em mim, mas depois não consigo lembrar de um fim de semana que fiquei sem apanhar", conta. Ainda que a sessão violenta acontecesse mesmo quando o marido estava sóbrio, se o álcool fosse mais um componente, "a violência aumentava e ficava mais cruel".

A explicação para o álcool servir como impulso para as agressões, que não ficam restritas às mulheres e chegam aos filhos também, é fisiológica, explica o pesquisador do Departamento de Medicina Legal da Universidade de São Paulo (USP), Gabriel Andreuccetti. Segundo ele, a bebida etílica chega ao cérebro, aguça o sistema nervoso simpático, rebaixa a crítica e aumenta a agressividade. A ressalva dos especialistas é que tanto violência doméstica quanto consumo de bebidas alcoólicas são fenômenos complexos. No geral, um funciona como fósforo aceso dentro de um barril de pólvora do outro. "Por isso, a minha proposta é fazer maior diálogo entre o serviço de atendimento de dependência e o serviço de violência", diz o pesquisador da Unifesp. ‘Hoje, um caminha isolado do outro, o que permite que violência e álcool andem sempre juntos.’”

Reportagem retirada de: ARANDA, Fernanda. Álcool move violência doméstica. O Estado de S. Paulo, 15 de junho de 2009. Disponível em : < http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,alcool-move-violencia-domestica,387275,0.htm>. Acesso em: 29 nov. 2011.